quinta-feira, 30 de junho de 2011
Exclusão da Associação
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
A Inquisição em seu mundo
A Inquisição é o tema mais usado para atacar a Igreja Católica. Mesmo os protestantes, que em nada ficam atrás da Igreja quando se trata de intolerância naquelas épocas usam esse tema para promover ofensivas contra os católicos, ignorando que também houve inquisições e chacinas protestantes muito mais cruéis que aquelas cometidas pelos filhos da Santa Igreja.
As pessoas que promovem os ataques também ignoram o contexto social no qual nasceu a Inquisição. Ignoram que esse episódio se deu em uma época onde a Religião Católica era o sumo bem do povo que em geral era embrutecido pela barbárie ainda tão recente na Europa. Nesse texto, abordaremos com base nos livros de João Bernardino Gonzaga (A Inquisição em seu mundo) e Felipe Rinaldo de Aquino (Para entender a Inquisição) a Inquisição como ela tem que ser abordada, isto é, em seu contexto histórico, político e social.
O homem medieval:
A Idade Média foi uma época difícil. A desigualdade social era muito grande, povos recém cristianizados ainda eram embrutecidos pela barbárie, pelos cultos antigos e pelo código de direito vigente, o Código de Direito Germânico. O sagrado e o profano se misturavam, a expectativa de vida da população era baixa, sendo que os pobres viviam no máximo até os 26 anos, os nobres raramente ultrapassavam os 40 anos e as pessoas mais resistentes dificilmente chegariam aos 58 anos.
O homem medieval era um homem bruto. Não existiam os costumes humanistas que temos hoje. As pessoas eram de um modo geral, incultas e sem muito medo da morte e da dor. Para se ter uma idéia, as poucas cirurgias que existiam eram todas feitas sem anestesia, amputavam-se membros com a pessoa sentindo dores terríveis e os riscos de infecções eram grandes. Ferimentos que exigiam esses procedimentos eram comuns pelos mais diversos fatores como pestes, guerras e crimes cometidos por parte de assaltantes.
Guerras eram bastante comuns. Não havia autoridades policiais como hoje. Devido às condições precárias de higiene, pestes surgiam a todo o tempo. A escassez de alimento também assolava a população, sendo que não raro, em cercos de guerra os vivos tiveram que comer cadáveres e raízes de árvores para sobreviverem. Também entre uma e outra guerra surgia o problema dos soldados. Desempregados entre as guerras, estes viviam de saques, o que tornava as estradas e florestas locais tão perigosos que poucas pessoas se aventuravam a andar sozinhas nos mesmos.
A mortalidade infantil era bastante alta. Não se existia a ciência como hoje. O povo recém cristianizado arrastava ainda os costumes de religiões pagãs onde não havia nenhuma piedade. É bom lembrar que a Igreja Católica foi quem trouxe a Inquisição, mas foi quem trouxe também as instituições de caridade, os orfanatos e os hospitais ao mundo (AQUINO, F., Uma História que não é contada, 3ª ed., Editora Cleófas, 2003).
Os homens tinham a divindade como máximo bem, centro de tudo. Nas situações de perigo constante em que viviam o ser humano confiava sua vida, suas dificuldades e doenças à Deus, única esperança da sociedade medieval ainda tão pouco evoluída. Essa é a sociedade teocentrista, onde tudo é para e por Deus, o sumo bem dos homens.
No mundo teocentrista, o crime de maior gravidade é aquele que lesa a majestade divina, ou seja, ninguém podia falar nada contra as coisas sagradas ou contra Deus. Conta-se que certo herege chamado Pedro Valdo fez uma fogueira de cruzes e para assar carne em plena Sexta-Feira da Paixão. O povo enfurecido por causa de tamanha profanação assou Pedro Valdo ao invés da carne naquela fogueira.
Era esse o homem medieval, zeloso pela religião, bruto e acostumado com a dor e a morte. Relatos históricos mostram que os homens dessa época suportavam o que hoje consideramos terríveis torturas e não temiam a esses castigos pelo simples fato de que a só vida já era dura demais. Além de tudo, os homens da Idade Média eram regidos por um rei e esse rei, não raras vezes, se julgava no direito de dizer o que era ou não heresia. Havia pelo princípio germânico a noção de que a Religião do rei era a Religião do povo.
A heresia era punida pelo estado com pena de morte, mesmo sem nenhuma aprovação da Igreja. Por tal é bom separar em uma análise da Inquisição a Igreja do Estado, muito embora isso seja difícil, pois nessa época os poderes religioso e político praticamente se sobrepunham.
Os antecedentes da Inquisição:
A Inquisição como ouvimos falar surgiu em meados do século XIII. Aconteceu que naquela época as investiduras leigas haviam caído. Os reis não tinham mais tanto poder para investir membros do clero, que por sua vez, estava retomando seu poder pleno. Os reis julgavam muitas vezes de forma injusta as heresias, pois não tinham conhecimento teológico para tal.
A teologia, como toda ciência, ainda estava engatinhando. Ela por sua vez tinha muito misticismo, fruto da influência da sociedade, da qual o clero não estava isolado, pois era daí que saiam os servos de Deus. É um erro pensar que a Igreja era uma instituição a parte, intelectualmente acelerada que não acreditava nas convicções que professava, mas as impunha para manter o poder. A Igreja cria tanto quanto a população nas suas convicções e justamente por isso toda ela pregava o que pensava.
Do misticismo medieval nem mesmo os reformadores que se julgam aqueles que retornaram à fé cristã primitiva estavam livres. Lutero, por exemplo, era de uma família de camponeses que cria em duendes e outras criaturas místicas. O misticismo acerca de Lutero e Calvino era tamanho que muitas vezes os dois chegaram a declarar que jamais sentiram o perdão de Deus, mesmo depois de se arrependerem amargamente de seus pecados.
Nos séculos onde se desenvolveu a Inquisição, conforme já dito, tanto a população quanto os reis vinham fazendo julgamentos, não raro injustos, para deter quem eles julgavam hereges.
Como o misticismo era ainda elevado e havia as crenças remanescentes das culturas anteriores, os homens medievais muitas vezes criam em histórias macabras de bruxaria. Com isso as pessoas se iravam contra mulheres que, inocentes ou não, acabavam mortas com ou sem o consentimento da Igreja. Os membros da Igreja eram tidos muitas vezes como benevolentes demais com os hereges.
Por muitas vezes as pessoas invadiam presídios e raptavam presos em julgamento por heresia para executá-los de forma bárbara e cruel. É fato que a Igreja relaxou várias pessoas ao braço secular para que fossem executadas, mas é fato também que a Igreja foi um órgão de muita tolerância no cenário medieval.
Nesse contexto, remanescentes dos maniqueus, crença herética dualística desviada do cristianismo primitivo, emigraram para o sul da França, precisamente para cidade de Albi. É importante falar quem eram os maniqueus. Santo Agostinho mesmo foi maniqueu, mas em decorrência das orações de sua mãe, Santa Mônica, Santo Agostinho se converteu ao catolicismo. Esse santo argumentou bravamente contra os hereges maniqueus que pela ação agostiniana quase foram extintos.
Os maniqueus em Albi ganharam então o nome de albingenses ou cátaros (termo que soberbamente significa puro). Infelizmente, foram a corrupção e os maus exemplos do clero que instigaram as grandes heresias. Esses hereges ao verem a situação deplorável de certos membros do clero, acabavam desejando de forma obsessiva, orgulhosa e doentia a pureza. Geralmente, as grandes heresias consistem em um núcleo de verdade coberto por uma casca de mentira. Quanto mais forte o núcleo de verdade, mais difícil é de se quebrar a heresia.
Os cátaros pregavam que existiam dois deuses. Segundo eles, o deus que se apresentou a Moisés era um deus perverso que havia aprisionado o deus bom na matéria. Cristo seria, pois, um anjo que teria revelado o deus bom pregando um desapego a matéria, pois essa foi criada pelo deus mau. Segundo os cátaros, o deus do bem estava em toda a matéria e deveria ser liberto por uma espécie de esoterismo, um conhecimento oculto das criaturas. Portanto, nada que é matéria poderia ser bom. Essa é a doutrina pessimista da Gnose.
As conseqüências desse pensamento foram desastrosas. Os cátaros pregavam a pobreza, o desapego total a tudo que é matéria. Proibiam o casamento, pois os filhos eram a perpetuação da desgraça proveniente da matéria, que em si é má. Eram fanáticos e infiltraram-se na Igreja de forma oculta, tomando mosteiros, pessoas do alto clero, universidades e vários outros órgãos. Chegaram a criar dioceses com bispos e sacerdotes. Mesmo a nobreza em parte adotou ao catarismo que crescia as escondidas como uma planta parasita que matava a grande árvore, que é a Igreja.
A Inquisição em si:
Em princípio, a Igreja quis converter os cátaros conforme ensinavam Santo Agostinho e São João Crisóstomo, ou seja, só por pregações. Entretanto, esses mesmos santos haviam dito que a tortura pode ser usada quando não há outro recurso.
Como a pregação estava sendo impossibilitada pelos cátaros, que inclusive chegaram a matar pregadores, a Igreja foi forçada a agir por outros meios. Vale lembrar que os historiadores, em geral, são unânimes quando falam sobre o catarismo. As conseqüências da Inquisição foram graves, mas se o catarismo tivesse se estendido suas conseqüências teriam sido muito piores. Nesse contexto dos historiadores está Henry Charles Lea, protestante hostil a Igreja que apesar dos pesares fala que a causa da ortodoxia contra os cátaros não foi senão a causa da sociedade e do bom senso.
Os cátaros tinham rituais próprios, inclusive “missas”. Em alguns rituais os cátaros se envolviam sexualmente e o fruto dessas relações ao completar oito dias era queimado vivo em uma fogueira. As cinzas do recém nascido eram então adoradas pelos cátaros. Para eles, a reencarnação era a forma de purificação. Com sucessivas reencarnações o ser humano se tornaria puro e voltaria a ser a divindade puramente espiritual que fora um dia.
A Inquisição propriamente dita nasceu em Laguedoc, sul da França no ano de 1184. Todavia, a Inquisição no início não era como se tem hoje. Não havia tribunais fixos, mas sim tribunais convocados. Não havia pena de morte ou tortura. Essas só foram instituídas mais tarde sendo primeiro instaurada a tortura e depois a pena de morte, que era executada pelo estado. Essas penas só foram impostas porque as pregações não surtiram efeito.
Entre 1209 e 1244 o Papa Inocêncio III convocou então as cruzadas contra os cáltaros ou cruzada albingense, sob apoio do nobre herói católico e nobre Simão de Montfort. É importante lembrar que entre os cátaros também era comum o suicídio que visava libertar a alma da matéria (que era tida como ruim). Esse suicídio “sagrado” era chamado de Endura.
Nesse contexto nasceu a Inquisição. Sob a suspeita de heresia a Inquisição era convocada para julgar o caso. É importante falar que embora na nossa concepção atual matar um herege seja errado naquela época não era assim. Tanto os católicos como os hereges achavam normal matar alguém que negasse a fé. A pena de morte também não é anti-bíblica, sendo que São Paulo reconhece que o estado tem autoridade de aplicá-la quando necessário (Cf. Rm. 13).
Importante também é dizer que a Inquisição não era um tribunal algoz, cheio de sarcasmo que matava qualquer um por qualquer coisa sem o menor cuidado. A Inquisição organizava e arquivava processos e a pena de morte era o último recurso a ser usado, pois o objetivo desses tribunais não era matar, mas sim converter os hereges.
Apenas os hereges eram pegos pela Inquisição. Judeus, mulçumanos e outros que jamais haviam sido batizados não podiam ser julgados por esses tribunais. Se o foram em algum período, foi fora das normas estabelecidas pela Igreja. Isso ocorreu nas Inquisições Espanhola e Portuguesa, mas essas são chamadas de Inquisições Régias, pois eram muito mais ligadas ao poder da monarquia desses países e não da Igreja.
Devido à dureza do homem medieval, é perfeitamente compreensível que se apliquem a pena de morte e a tortura, tendo em vista que a justiça da época além de ser embrutecida pelo Código de Direito Germânico, ainda não contava com instrumentos de perícia policial para adquirir provas como hoje.
Os recursos empregados para se incriminar alguém então eram os mais absurdos possíveis para a mentalidade de hoje. A tortura (no Direito Romano), a confissão do réu, os testemunhos e por parte do estado também duelos e os ordálios (no Direito Germânico). Nesses dois últimos casos, se o réu sobrevivesse ou se não se infeccionasse por algum tormento intencionalmente provocado, os medievais consideravam isso como um sinal de que Deus estava em defesa dele. Entretanto, essa prática era condenada pela Igreja que lutou de todas as formas para substituir o Código de Direito Germânico pelo Código de Direito Romano, mais racional, mas que utilizava a tortura.
A admissão da tortura pela Igreja também tinha condições. A tortura não podia mutilar membros ou torná-los tão degradados que necessitassem ser amputados, não podia passar de uma hora e deveria ser feita com acompanhamento médico para dizer até onde poderia ir o suplício. Só em último caso aplicava-se a tortura legalmente. O clero não podia torturar ou matar alguém e assim foi durante toda a Inquisição, mas deveria estar com o sangue pronto para ser derramado pela fé.
Mesmo os algozes e inquisidores deveriam ser pessoas de índole e pessoas piedosas. Quando algum algoz ou inquisidor fugia a regra, ele deveria ser punido, muitas vezes pela Inquisição. Quanto à pena de morte, ela passou a ser empregada só mais tardiamente, quando viram que as repressões usadas não surtiam efeito. Era o estado e não a Igreja que executava a pena de morte, que não é anti-bíblica.
O herege que não se retratava pela Inquisição era convidado a se calar. Só quando o herege insistia em seu erro é que ele era morto, mas a pena de morte poderia ser por pura iniciativa do estado ou por pedido da Igreja. Além do mais, a Inquisição é tida na história, ao contrário do que muitos pensam, como um progresso no direito civil.
Para se ter uma idéia, foram relaxados ao braço secular apenas 1,8% dos casos de bruxaria julgados pela Inquisição. Quando o estado agia cerca de 48,2% dos casos de bruxaria foram executados. As cadeias antes eram lugares horríveis, sem ventilação e iluminação, com péssimas condições de higiene. Foi a Inquisição, para exercitar a penitência dos fiéis que criou as chamadas penitenciárias que por sua vez eram lugares bem arejados, iluminados e com certeza muito mais higienizados que as cadeias do estado. Daí vem o nome penitenciária, do nome penitência, pois as penitenciárias eram lugares para exercitar o arrependimento dos infiéis.
Não só a pena de morte era utilizada, peregrinações e outras formas de penitências poderiam ser impostas. Além do mais, não era só a pena de morte pela fogueira que era empregada, havia também outras formas de se matar os hereges.
Vale lembrar que naquela época, a religião do rei era a religião do povo. Depois da queda do Império Romano, como a única instituição organizada que havia no ocidente era a Igreja Católica, ela teve que agir para que os bárbaros não acabassem com tudo. Se a Igreja não tivesse agido, provavelmente as conseqüências teriam sido bem piores. Foi graças à Igreja que toda a cultura helênica e romana foi salva das destruições dos bárbaros.
Os bárbaros passavam saqueando tudo e causavam destruição e dor por onde passavam. Foi a Igreja quem salvou os tesouros das culturas antigas. Foi justamente por ter guardado isso que foi possível que a própria Igreja restaurasse o racionalismo que ganhou o nome de Renascença.
Hoje em dia se fala (com exageros) em milhões de mortes causadas pela Inquisição. Fecham-se os olhos para as 100.000.000 de vítimas do comunismo que agiu por apenas 50 anos. O número de mortos pela Inquisição Espanhola, a mais sangrenta de todas e com grandes participações do estado, certamente não chegou a 5.000 em seus seis séculos de existência.
A Inquisição Anglicana na Inglaterra matou em sua história mais que toda a Inquisição Católica. Entretanto os professores de história e os grandes “intelectuais” carregados com seus pensamentos marxistas acusam apenas a Igreja Católica de carnificina.
E não para por aí. No Brasil, gêmeos e crianças deficientes indígenas são enterradas vivas com freqüência em nome da “cultura”. Basta que um pajé declare que aquela criança não tem alma. Entretanto, para esses “pensadores” as atrocidades em nome da cultura são justificáveis.
Também as atrocidades em nome da liberdade de expressão e opinião são toleradas, exceto quando o pensamento tem fundo religioso cristão-católico. Veja-se que hoje pelo mundo existem vários partidos e grupos declarados nazistas e comunistas, tipos que tanto fizeram vítimas pelo mundo, entretanto, é só mesmo contra a Igreja que tem graça fazer ataques.
quarta-feira, 22 de setembro de 2010
Do direito de existir na Igreja

Coloco aqui que não é objetivo desse artigo condenar movimentos renovados, mas sim a mentalidade que muitos desses movimentos têm desenvolvido. Essa mentalidade marcada pela intolerância e pela divisão que por sí própria não tem o direito de existir dentro da Igreja Católica, que é universal e por isso tem mais que o dever de abrigar a todos os fiéis, sejam eles renovados, sejam eles tradicionais.
Por várias vezes já fui questionado, condenado (inclusive ao inferno) por pensar como penso. Mas quem será que está errado com tudo isso? Seria eu ou seriam esses verdadeiros hereges que se hospedam com cara de católicos dentro da Igreja massacrando os fiéis tradicionais. Vamos fazer abaixo uma pequena análise.
A Sagrada Escritura condena a divisão.
São Paulo em I Cor 3, 3-6 condena claramente a divisão e a contenda. Muitos querem defender que "no meu movimento temos um maior contato com Deus", "no meu movimento o Espírito Santo se manifesta mais", no meu movimento isso, aquilo... Quanta besteira! Estaria a Igreja errada por quase vinte séculos até que veio o milagroso Concílio Vaticano II para tirar esses erros? É claro que não! O Cristo prometeu a assistência do Espírito Santo todos os dias até o fim dos tempos (Cf. Mt 28, 20). Quem fala algo oposto a isso está oposto às Escrituras e quem poderia ter razão? As Escrituras, que são a Palavra de Deus, ou esses hereges? Não seria muita prepotência falar que se é mais sábio que o próprio Cristo, a sabedoria encarnada?
Essas heresias surgem, creio eu, numa tentativa desesperada de justificar a existência de um movimento ou outro, mas em nada levam em conta a Palavra de Deus. Muitos querem ainda ir mais longe. Não só querem extinguir a Igreja Tradicional como também querem torná-la "renovada". Isso não se faz! Nós tradicionais não estamos na Igreja Tradicional por falta de opção, estamos nela porque queremos fazer parte dela sem aderir as práticas dos outros movimentos. Isso é condenar os atos dos outros movimentos? Claro que não! É apenas uma falta de simpatia com as práticas, afinal, muitos são os movimentos mas um só é o Deus que instrui.
A partir do momento em que se forçar uma conversão em massa de toda a Igreja a um movimento X ou Y, deve-se pensar também em mudar o nome da Igreja. Esses hereges sequer conhecem o que significa ser católico e por isso têm essa atitude ignorante. O termo Católico significa Universal, ou seja, instituído para todos. Mesmo no judaísmo já se tem a noção de que Cristo foi importante para levar o monoteísmo ao mundo todo, ou seja, a várias pessoas diferentes. Pois bem, de cerca de cinquenta anos atrás até os dias de hoje, surgem novos "santos" repletos de soberba e prepotência, se intitulando os verdadeiros donos do Espírito Santo, ameaçando assim divisões dentro da Igreja. Se essas práticas forem levadas em consideração, é quase certo que haja um novo grande cisma. É isso que quer o Espírito Santo? Um novo grande cisma? Esses hereges sabem o que é cisma? Cisma é divisão!
Do direito de existência:
Mesmo no estado laico se sabe do direito de existência. Ninguém pede para nascer ou para ter um determinado carisma. Nosso nascimento vem totalmente sem nosso consentimento, pois não temos consciência para decidir se queremos ou não nascer. Da mesma forma, não escolhemos os carismas que teremos, pois quem os concede é o Espírito que conforme já mostrado, não nos exclui por isso, pois Deus nos ama exatamente como somos. Quem é então um ser humano, cheio de pecados, prepotente, imoral e arrogante para querer dimensionar quais são os carismas que teremos? Ao acaso isso está em poder do homem? É claro que não!
A Igreja Tradicional existiu por quase vinte séculos. A Igreja Católica deixa que existam até nos dias de hoje Ritos e Igrejas Sui Juris com tradições antiquíssimas, incluindo a tradução dos padres casados. Qual é então o motivo que leva esses hereges a quererem excluir a Igreja Tradicional? Ao acaso não temos nós também o direito de existir? O tradicionalismo não faz parte da história da Igreja? Existir a Igreja Tradicional é não só uma questão de fé, mas uma questão histórica.
Existimos há muito mais tempo que as frentes renovadas, temos toda uma história marcada pelo amor de Deus de forma igual a das frentes renovadas. Porque devemos ser extintos se Deus nos ama? É claro que isso não faz sentido assim como não faz sentido extinguir a frente renovada. Não faz sentido trazer um "avivamento" para as frentes tradicionais porque o Espírito já nos aviva na mesma intensidade, mas de maneiras diferentes.
Esses hereges se comportam exatamente como os protestantes, que insistem ser o povo eleito e que por isso tem que levar seu ponto de vista a todos. Isso não faz nenhum sentido, muito menos ainda em uma Igreja que é Universal. Entendeu? A Igreja é Universal e não Renovada ou Tradicional!
Se há alguém na Santa Igreja com essas idéias, não faz nenhum sentido que fique na Igreja, mas faz todo o sentido fazer como fazem os protestantes, ou seja, sair e fundar outra igreja., ajustada às suas vontades e não à vontade de Deus. Não há outro caminho, não há meio termo. São Paulo em Ef 4, 2-8 nos manda suportar-nos uns aos outros. Não faz nenhum sentido fazer algo contrário as Sagradas Escrituras.
Muito embora não seja eu da frente renovada da Igreja, exorto, pois a Rede Canção Nova que publicou essa passagem da carta aos Efésios (Cf. http://www.cancaonova.com/portal/canais/eventos/novoeventos/cobertura.php?cod=2232&pre=5816&tit=Suportai-vos%20uns%20aos%20outros).
Deixo a palavra de que estamos preocupados em cristianizar na verdadeira Igreja novas gentes, mas estamos brigando entre nós por besteiras? Como vamos trazer para nossa casa pessoas de fora se estamos causando desordem em nosso próprio território e pior, sem nenhuma necessidade?
Esse puxão de orelha vale também para os intolerantes da Igreja Tradicional. Se o Papa aceita as frentes renovadas, não temos que falar nada contra elas, mas sim aceita-las no amor de Deus e acolhe-las.
Certamente não é provocando essas contendas que seguiremos a vontade de Deus. Já cheguei a escutar inclusive que o Espírito Santo não age na Igreja Tradicional, mas queria saber onde estão as provas disso. Para quem afirma tal coisa, gostaria que me mostrasse então um milagre como o de Lanciano em seu movimento. Ou que tal se me mostrasse algo como as quatro Aparições de Nossa Senhora (Fátima, La Salette, Lourdes e Guadalupe)? Esses fenômenos não provam que o Espírito Santo está presente na Igreja Tradicional? E quanto a São Tomás de Aquino, o mais santo dos sábios e o mais sábio dos santos? Não nasceu e viveu ele na época onde só havia a Igreja Tradicional? Seria ele sábio se fosse vazio do Espírito de Deus?
Não há uma maior presença de Deus, de Cristo, do Espírito Santo ou de Nossa Senhora nessa ou naquela frente, pois Deus age em todos e por igual, por isso somos a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, que professa UM SÓ BATISMO para a remissão dos pecados! Comungamos todos do mesmo Cristo na Eucaristia, recebemos o Espírito por igual no Crisma, estamos igualmente imersos no Corpo Místico de Cristo através do Batismo. Então, se é assim, qual é o motivo para tanta guerra?
Pax et Bonvs!
Eduardo Moreira
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
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terça-feira, 24 de agosto de 2010
O esplendor Sui Juris que os “católicos” não conhecem
O que poucos “católicos” conhecem é um dos maiores orgulhos da Igreja, que, sendo santa, respeita a cultura dos povos que a adotam como religião. Esses “católicos” geralmente são os primeiros a criticar a Igreja. Sempre estão em uma rodinha que fica falando mal do Papa ou fazendo coisas ainda piores. São um câncer na Igreja e não fazem nenhuma falta, pois só estão dentro da Igreja para fazer mal. Essas pessoas não conhecem e não fazem nenhum esforço para conhecer a doutrina. Se dizem católicas, mas em nada obedecem a Santa Igreja. Aceitam convites de pessoas de todas as religiões para irem conhecer e sequer crêem na frase de São Cipriano (258 dC): “Extra ecclesiam nulla salus”, ou seja, fora da Igreja não há salvação!
Para esses pseudo-católicos é que essa carta é direcionada. Em especial, para aqueles totalmente ignorantes que desconhecem em plenitude que o celibato não é algo plenamente obrigatório na Igreja. Poderia aqui falar sobre a “relação” mirabolante entre pedofilia e celibato, mas não vou me ater a essa temática que já foi abordada em nosso blog.
O catecismo da Igreja Católica fala sobre os ritos orientais, isto é, ritos que fazem parte em plenitude da Igreja Católica através de outras Igrejas igualmente católicas. Provavelmente, os pseudo-católicos vão falar aqui que no oriente não há Igreja Católica e que essas Igrejas as quais estamos nos referindo são as Igrejas Apostólicas Ortodoxas. Puro engano!
Estamos aqui falando das Igrejas Orientais Católicas Apostólicas Romanas, isto é, Igrejas que fazem parte da Santa Igreja Católica Apostólica Romana, pois são submissas ao papado, o que é bem diferente das Igrejas Apostólicas Ortodoxas que são cismáticas.
Para uma melhor explanação, vamos descrever calmamente o que é necessário para compreender melhor o que se aborda aqui. A Igreja Católica Apostólica Romana é constituída atualmente por 23 Igrejas particulares Sui Juris. O que é isso? Isso significa que temos no seio da Igreja, 23 Igrejas particulares submissas ao papado, mas que têm diferentes ritos, formas organizacionais, tradições e localizações geográficas. Comumente essas Igrejas têm um hierarca (Arcebispo maior, Patriarca, Metropólita, etc.) que as coordena sob a autoridade papal.
Temos na Igreja situada no Ocidente, uma grande Igreja chamada Igreja Católica Latina. Essa é a maior de todas as Igrejas Sui Juris e por isso todos acabam confundindo-a com a Igreja Católica Apostólica Romana inteira. Entretanto, no Oriente temos outras 22 Igrejas, que possuem certa autonomia e têm eparquias ao invés de dioceses. Essas Igrejas Orientais não são cismáticas, pois estão em plena comunhão com o papado.
Nessas 23 Igrejas temos uma variedade enorme de ritos litúrgicos e tradições. Enquanto que no Ocidente um padre é obrigatoriamente celibatário, no Oriente essa disciplina é opcional. Isso ocorre porque o celibato foi instituído como obrigatório já no Concílio de Latrão (1123 – 1125) e apenas nos ritos latinos da Igreja, ou seja, apenas no ocidente. Antes desse concílio, o celibato era uma disciplina opcional.
No oriente as Igrejas já existiam há séculos e mais séculos. Era muito forte na tradição dessas Igrejas que um padre pudesse escolher entre o celibato e o casamento. Por esse motivo, a Igreja respeitou os irmãos do oriente e não os obrigou a essa disciplina. Assim, no oriente até nos dias de hoje um aspirante ao sacerdócio pode ser casado. Entretanto o casamento deve ser realizado antes da ordenação do sacerdote, ou seja, um padre não pode se casar, mas um homem casado pode ser ordenado.
Além disso, muitas das Igrejas Orientais foram readmitidas no seio da Igreja depois do Concílio de Latrão. Isso ocorreu porque em 1050 d.C. houve o Grande Cisma do Oriente, no qual uma boa parte das Igrejas Orientais se separou formando as Igrejas Ortodoxas. Nessas Igrejas, em geral o celibato não é obrigatório. Assim, com o tempo devido à tradição dessas Igrejas, o Santo Padre foi acolhendo-as do jeito que eram, acertando apenas a doutrina, mas não as tradições (não confundir com a Sagrada Tradição que é parte da doutrina).
O celibato é uma disciplina que foi recomendada já por Nosso Senhor Jesus Cristo. São Paulo também era celibatário e pedia que quem pudesse, fosse celibatário como ele. Jesus mesmo disse que aqueles que amavam muito o Reino dos Céus eram capazes de se fazer eunucos (Mt 19, 12). A Igreja do rito latino quis que apenas os que aspirassem muito o Reino de Deus se fizessem sacerdotes. Isso não é obrigar às pessoas a não se casarem, pois querer ou não o sacerdócio é uma opção livre de cada um. A Igreja não obriga que ninguém seja sacerdote e essa disciplina existe para ter apenas aqueles que querem se dedicar inteiramente ao Reino dos Céus.
E quem disse que é só pelo sacerdócio que se pode servir a Deus? Há na Igreja também os diáconos (que fazem boa parte do que os sacerdotes podem fazer), ministros e leigos que fazem parte integrante da ação da Igreja. E quanto à falta de sacerdotes, saibam os que criticam que nunca houve tantas vocações nos seminários, ao contrário do que se pensa. Não é o casamento que vai fazer com que uma pessoa se torne ou não sacerdote, pois na Igreja Maronita, umas das Igrejas Orientais, também há falta de sacerdotes como na Igreja Latina, mesmo o celibato sendo opcional.
Além das 23 Igrejas Sui Juris existem também os ritos próprios dessas Igrejas. Temos dois grandes conjuntos de ritos na Santa Igreja que são os ritos ocidentais e os ritos orientais. Os pseudo-católicos que tanto odeiam a Igreja não sabem sequer que mesmo na Igreja Latina há uma grande variedade de ritos. Abaixo, uma lista das Igrejas Sui Juris e dos ritos utilizados por elas:
Ritos latinos - Igreja Católica Latina:
· Rito Romano (Tridentino e Paulino). O rito Tridentino é um rito elaborado por São Pio V no qual o sacerdote se vira para a cruz (automaticamente fica de costas para o público) e celebra a missa em latino. O rito Paulino é o rito novo da Santa Missa. Foi elaborado pelo Papa Paulo VI e pode ser celebrado em qualquer língua, inclusive no latim;
· Rito Ambrosiano;
· Rito Moçarabe;
· Rito dos Cartuxos;
· Costume Anglicano (em desenvolvimento para acolher os convertidos do Anglicanismo).
Rito Bizantino – Abaixo as Igrejas que usam esse rito e o ano de sua readmissão:
· Igreja Greco-Católica Melquita (1726);
· Igreja Católica Bizantina Grega (1829);
· Igreja Greco-Católica Ucraniana (1595);
· Igreja Católica Bizantina Rutena (1646);
· Igreja Católica Bizantina Eslovaca (1646);
· Igreja Católica Búlgara (1861);
· Igreja Greco-Católica Croata (1611);
· Igreja Greco-Católica Macedónica (1918);
· Igreja Católica Bizantina Húngara (1646);
· Igreja Greco-Católica Romena unida com Roma (1697);
· Igreja Católica Ítalo-Albanesa (esteve sempre em comunhão com a Igreja Católica);
· Igreja Católica Bizantina Russa (1905);
· Igreja Católica Bizantina Albanesa (1628);
· Igreja Católica Bizantina Bielorrussa (1596).
Ritos Antioquenos – São utilizados pelas seguintes Igrejas:
· Igreja Maronita (união oficial reafirmada em 1182);
· Igreja Católica Siro-Malancar (1930);
· Igreja Católica Siríaca (1781).
Ritos Sírios orientais – São utilizados pelas seguintes Igrejas:
· Igreja Caldeia (1692);
· Igreja Católica Siro-Malabar (1599).
Rito Arménio – Igreja Católica Arménia (1742).
Ritos originários de Alexandria – São utilizados pelas seguintes Igrejas:
· Igreja Católica Copta (1741);
· Igreja Católica Etíope (1846).
Para saber mais sobre as Igrejas Orientais e seus costumes é bom ler o Catecismo da Igreja Católica que aborda de forma bastante eficiente as diferenças entre as Igrejas do Oriente e a Igreja Latina. Não há nenhuma diferença na doutrina, mas apenas nos costumes e tradições. Quanto à Sagrada Tradição, esta é a mesma nas Igrejas do Ocidente e do Oriente.
Ut in omnibus glorificetur Deus!
Eduardo Moreira
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Lutero: Homem de índole ou um devasso?

Lutero, um homem idôneo ou um devasso? Saiba a verdade (estranhamente ou intencionalmente?) omitida sobre esse "monge" agostiniano!
Nos debates entre católicos e protestantes, nós, católicos, notamos que nossos opositores são bastante exigentes em relação ao detalhamento das doutrinas da Igreja. Geralmente submetem-nos a diversas perguntas, sejam elas bem ou mal formuladas. O apologista católico, então, deve estar preparado, estudar a doutrina de sua Igreja, ler as obras dos padres apologistas, e responder a esses fundamentalistas satisfatoriamente (infelizmente, eles não se satisfazem com respostas). Mas, será que os protestantes buscam nos seus "pais" a resposta para nossas questões?
Vocês, leitores, já perceberam que os protestantes geralmente buscam suas fontes a partir de grandes teólogos do passado e do presente, mesmo de Calvino, no caso dos calvinistas, e vários outros teólogos modernos? Entretanto, geralmente falta um personagem, o personagem principal, no âmbito reformado: Martinho Lutero.
Já é ampla a nossa cobertura da revolta protestante do século XVI, mas muito ainda falta ser dito. Os protestantes costumam colocar Lutero como um príncipe, um homem iluminado, que trouxe à luz a Igreja que jazia nas trevas da "corrupção". Em todos os meios protestantes, Lutero foi um homem que, ao ler "um livro proibido", a Bíblia, descobriu em suas letras simples a doutrina até então "obscura" de Cristo: a salvação somente pela fé. Desde então Lutero é uma figura ímpar na história do protestantismo. Inclusive alguns teólogos católicos reconhecem em Lutero valores dignos dos grandes doutores da Igreja.
Porém, seus escritos praticamente desapareceram da estante dos protestantes modernos (ou pelo menos, de suas obras). O que vemos hoje é que os protestantes fundamentalistas se baseiam mais em sua própria opinião "errada" das Escrituras do que num fundamento ao menos mais criterioso. Entretanto, será que é válida a fundamentação da teologia protestante na herança dos estudos de Lutero?
Quantos protestantes, mesmo pastores, já leram obras de Lutero. Dificilmente um católico que não seja estudioso do assunto leria. Mas espera-se que os protestantes tenham uma certa noção dos escritos dos seus pais. Nós católicos buscamos ler e entender o que pensavam e ensinavam os pais da Igreja: Inácio, Clemente, Leão, Tertuliano, Gregório, Agostinho, Vicente, Aquino. Entre milhares de outros. É uma vasta literatura, mas todo católico que esteja interessado nas suas doutrinas busca conhecer a sua patrologia.
Lutero deixou uma obra extensa, da qual em português creio não existir nem metade. Suponho, também, que nem metade dos protestantes já leu as obras dele. O que será que encontrariam? Talvez não gostem muito do que encontrarão, caso se aventurem. Na realidade, apesar de ser um estudioso da Bíblia, ter causado uma revolução no seio da Igreja, muitas vezes Lutero foi um blasfemo. Ao menos, pelos seus escritos, é o que nos parece.
Muitos protestantes questionam os católicos acerca do que falaram os seus teólogos do passado. Muitos dizem que Papas pecaram, disseram isso ou aquilo. Tudo isso, para eles, é prova de que a Igreja Católica não é a Igreja fundada por Jesus, nosso Senhor. Que o Espírito Santo não pode conduzir uma Igreja que ensina a "venda do perdão", por exemplo. Outros alegam que a Igreja não podia ter transferido a um homem o poder que somente Deus contém. Entre várias outras alegações, os erros do passado são, para os protestantes, prova mais que suficiente de que a Igreja é demoníaca.
No nosso país, é comum o uso de "ditados populares". Um deles, que podemos até aplicar aqui, é "Cuidado! O peixe morre pela boca".
Muito do que Lutero escreveu, em confronto com o Papa e a autoridade da Igreja, é defendida até o fim pelos seus idealistas. Mas será que defenderiam com a mesma vontade o Lutero que vamos apresentar aqui? Talvez fiquem surpresos, digam que ele não quis dizer o que está aparentado, que existem outros escritos dele que dizem o contrário. Ora, pelo que vamos ler, parece que não há como entender outro contexto, o que faz com que entendamos exatamente o que Lutero quis dizer quando da redação das obras. E se existem outros escritos dele que dizem o contrário, isto não é um fator de alívio, mas de complicação.
Mas, de qualquer forma, o leitor julgue as palavras de Lutero...ditas pelo próprio reformador.
Seja um pecador
Se és um pregador da graça, então pregue uma graça verdadeira, e não uma falsa; se a graça existe, então deves cometer um pecado real, não fictício. Deus não salva falsos pecadores. Seja um pecador e peque fortemente, mas creia e se alegre em Cristo mais fortemente ainda...Se estamos aqui (neste mundo) devemos pecar...Pecado algum nos separará do Cordeiro, mesmo praticando fornicação e assassinatos milhares de vezes ao dia. (American Edition, Luther's Works, vol. 48, pp. 281-82, editado por H. Lehmann, Fortress, 1963. 'The Wittenberg Project;' 'The Wartburg Segment', translated by Erika Flores, de Dr. Martin Luther's Saemmtliche Schriften, Carta a Melanchthon, 1 de agosto de 1521. )
Lutero está claramente dizendo que os nossos pecados, mesmo o pecado mais intenso imaginável, não importa. Diz que podemos cometer os pecados de forma convicta, que mesmo assim não nos separaremos de Deus. Imagine um católico dizendo tal coisa a um protestante, em um debate sobre o pecado, qual seria a resposta do protestante? (não responda, caro leitor, apenas abra sua Bíblia e leia o que ela diz sobre o pecado ? Mt 25,32; Mt 13,30; Mt 3,10; Hb 10,26-29).
Fazer o bem é mais perigoso que o mal
Estas almas piedosas que fazem o bem para chegar ao céu não somente não o alcançarão, como serão arranjados entre os ímpios; e importa mais em impedi-los de fazerem boas obras que pecados. (Wittenberg, VI, 160, citado por O'Hare, in "The Facts About Luther", TAN Books, 1987, p. 122).
Sim, é isso que você leu. Deve-se evitar praticar boas obras, não pecados. Acaso foi isso que Jesus ensinou? Pense em Cristo exortando a pecadora, em vias de ser apedrejada, e, ao segurá-la pela mão, dizer: "vá, e não pratique mais boas obras". Na verdade, o que Lutero quer dizer é "não se preocupe com os pecados, Jesus os encobrirá. Preocupe-se com suas boas obras, isto lhe condenará". As Escrituras dizem que seremos julgados pela forma como vivemos a nossa fé. Paulo diz claramente, em Rm 2,5-11, que o justo julgamento de Deus será de acordo com nossas ações. De acordo com 2Cor 5,10, receberemos a recompensa de Deus de acordo com nossos atos, bons ou ruins. Segundo Lutero, seremos recompensados por não fazer boas obras, enquanto que nossos pecados não influirão no julgamento de Deus.
Você pode perguntar: mas não são os protestantes que acreditam "somente na Bíblia"? Bem, responderíamos, somente quando lhes convém...
Não há livre arbítrio
...Em relação a Deus, e a tudo que importa na salvação e condenação, o homem não possui livre-arbítrio, é um cativo, um prisioneiro, um escravo, seja da vontade de Deus, seja da vontade de Satanás. (Bondage of the Will, Martin Luther: SelectionsFrom His Writings, ed. by Dillenberger,Anchor Books, 1962 p. 190).
Tudo que fazemos é por necessidade, não por livre-arbítrio, pois o livre-arbítrio não existe... (Ibid, p. 188)
O homem é como um cavalo. Deus o está montando? Um cavalo é obediente e aceita as vontades de seu dono, e vai onde quer que ele queira. Acaso Deus soltou as rédeas? Então Satanás sobe em seu dorso, e o submete aos seus caprichos...Portanto, a necessidade, e não o livre-arbítrio, é o princípio controlador de nossa conduta. Deus é o autor do que é mal como do que é bom, e, da forma como concede a felicidade àqueles que não a merecem, assim também condena a outros que não desejaram seu destino. ('De Servo Arbitrio', 7, 113 seq., citado por O'Hare, in 'The Facts About Luther, TAN Books, 1987, pp. 266-267.)
A Bíblia discorda de Lutero. Lemos em Eclesiástico 15,11-20: "Não digas: É por causa de Deus que ela me falta. Pois cabe a ti não fazer o que ele abomina. Não digas: Foi ele que me transviou, pois que Deus não necessita dos pecadores. O Senhor detesta todo o erro e toda a abominação; aqueles que o temem não amam essas coisas. No princípio Deus criou o homem, e o entregou ao seu próprio juízo; deu-lhe ainda os mandamentos e os preceitos. Se quiseres guardar os mandamentos, e praticar sempre fielmente o que é agradável (a Deus), eles te guardarão. Ele pôs diante de ti a água e o fogo: estende a mão para aquilo que desejares. A vida e a morte, o bem e o mal estão diante do homem; o que ele escolher, isso lhe será dado, porque é grande a sabedoria de Deus. Forte e poderoso, ele vê sem cessar todos os homens. Os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, e ele conhece todo o comportamento dos homens".
Os protestantes, claro, replicarão dizendo que Eclesiástico não é um livro canônico. Apesar de estarem errados, e Eclesiástico ser sim um livro canônico (leia os porquês em vários artigos de nossos site), podemos citar livros que eles apreciam como Escritura Sagrada: Dt 30,19-20: "Tomo hoje por testemunhas o céu e a terra contra vós: ponho diante de ti a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade, amando o Senhor, teu Deus, obedecendo à sua voz e permanecendo unido a ele. Porque é esta a tua vida e a longevidade dos teus dias na terra que o Senhor jurou dar a Abraão, Isaac e Jacó, teus pais". Vemos que o homem, além de ser livre para escolher, ele é obrigado a fazer tal escolha. Em Gn 4,7 lemos: ?Se praticares o bem,, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo?.
Em Jo 15,15: "Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai". Não nos parece que João concorda com Lutero a respeito da natureza eqüina dos homens, nem de seu jóquei...
Lutero disse que Deus é o responsável pelo bem e pelo mal. Porém Paulo também discorda dele, pois escreveu: "Pois, se nós, que aspiramos à justificação em Cristo, retornamos, todavia, ao pecado, seria porventura Cristo ministro do pecado? Por certo que não!". Por certo que Lutero está errado.
Os cristãos não estão sujeitos a autoridade alguma
Todo cristão é pela fé tão exaltado sobre todas as coisas que, por meio de um poder espiritual, é senhor de todas as coisas, sem exceções, que nada lhe causará mal. De fato, todas as coisas foram feitas sujeitas a ele e são orientadas a servi-lo na sua salvação. ('Freedom of a Christian,' Martin Luther. Selections From His Writings, ed. por Dillenberger, Anchor Books, 1962 p. 63.)
Injustiça é feita quando as palavras ?sacerdote, clérico, espiritual, eclesiástico? são transferidas de todos os cristãos para aqueles poucos que são chamados por costume mesquinho de "esclesiásticos" (Ibid., p. 65)
Segundo Lutero, não há necessidade de sacerdotes, e da hierarquia. Todo cristão tem uma relação livre com Deus. Isto parece algo muito bom, e realmente nós podemos ter uma relação direta com Deus. Entretanto não podemos excluir o papel da hierarquia e dos sacerdotes. Lemos no livro de Números, capítulo 12, que a irmã de Moisés, Mirian (Maria), disse: "Porventura é só por Moisés, diziam eles, que o Senhor fala? Não fala ele também por nós". A Bíblia mostra que "o Senhor ouviu isso" e disse "Por que vos atrevestes, pois, a falar contra o meu servo Moisés?" e logo depois "Maria foi ferida por lepra". A Bíblia nos ensina a não proceder contra os escolhidos por Deus: "Deus me guarde de jamais cometer este crime, estendendo a mão contra o ungido do Senhor, meu senhor, pois ele é consagrado ao Senhor!" (1Sam 24,7). Pela intercessão de Moisés, Mirian foi curada da lepra. Logo depois vemos Coré (Num 16) se rebelar contra Moisés e Aarão: "Basta! Toda a assembléia é santa, todos o são, e o Senhor está no meio deles. Por que vos colocais acima da assembléia do Senhor?". A Bíblia mostra que, por causa desta revolta, "Saiu um fogo de junto do Senhor e devorou os duzentos e cinqüenta homens que ofereciam o incenso". Isto pode ser a semelhança do que espera aqueles que se rebelam contra os desígnios de Deus: "Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos" (Mt 25,41).
Os camponeses mereceram seu destino
Assim como as mulas não se movem até que seu dono lhe puxe as cordas, assim o poder civil deve conduzir as pessoas comuns, açoitá-los, enforcá-los, queimá-los, torturá-los e decapitá-los, para que aprendam a temer o poder estabelecido (El. ed. 15, 276, citado by O'Hare, em 'The Facts About Luther, TAN Books,1987, p. 235).
O camponês é um porco, e quando um porco é abatido, ele está morto, e da mesma forma os camponeses não pensam sobre a vida futura, pois do contrário se comportariam de outra maneira. ('Schlaginhaufen,' 'Aufzeichnungen' p. 118, citado ibid., p. 241).
Trata-se do episódio da guerra dos camponeses de 1525. O próprio Lutero recomendava aos príncipes: "impeça-os da forma que puderem, como se matam cachorros loucos" (Ibid., p. 235). Erasmo de Roterdã, contemporâneo de Lutero, relatou que mais de cem mil camponeses perderam suas vidas (Ibid., p. 237).
Provavelmente você, leitor católico, já foi defrontado por protestantes com o argumento de que a Igreja "matou milhões de pessoas na inquisição", entre outras acusações (mal informadas, no caso das inquisições). Porém, como estamos mostrando neste artigo, poucos são os que conhecem que Lutero, Calvino e Elisabeth promoveram massacres contra católicos ou não-católicos. Muitos, na verdade, não sabem nem mesmo que Calvino mandou queimar Miguel de Serveto, ou porque Thomas Moore foi decapitado, na Inglaterra...
Poligamia
Confesso não poder evitar que uma pessoa despose muitas mulheres, pois tal não contradiz as Escrituras. Caso um homem escolha mais de uma mulher, deve procurar saber se está satisfeito com sua consciência de que o fará em acordo com o que diz a Palavra de Deus. Neste caso, a autoridade civil nada tem a fazer. (De Wette II, 459, ibid., pp. 329-330)
Somente pela Escritura Lutero não pôde descartar a poligamia. Talvez ser bígamo, ter várias mulheres ao mesmo tempo, sem ser fiel a nenhuma delas, não influencie na conduta cristã de buscar na Bíblia somente o que diz respeito à salvação...
A Bíblia poderia melhorar
A história de Jonas é tão monstruosa que é absolutamente inacreditável ('The Facts About Luther, O'Hare, TAN Books, 1987, p. 202)
Eu jogaria o livro de Esther no Elbe. Sou de tal forma inimigo deste livro que preferiria que não existisse, pois é judaizante demais e com grande parte de idiotices pagãs. (Ibid.)
A carta de Tiago é uma carta de palha, pois não contém nada de evangélico ('Preface to the New Testament,'ed. Dillenberger, p. 19.)
Se algo sem sentido foi falado, este é o lugar. Eu confirmo o que muitos já haviam dito que, com muita probabilidade, esta epístola não fora escrita pelo apóstolo, e não merece o nome do apóstolo. ('Pagan Servitude of the Church' ed. Dillenberger, p. 352.).
Para mim tal livro* não possui qualquer característica cristã. Que cada um julge este livro; eu mesmo tenho aversão, e isto é o suficiente para rejeitá-lo (Sammtliche Werke, 63, pp. 169-170, 'The Facts About Luther,' O'Hare,TAN Books, 1987, p. 203). *NT: Trata-se do livro de Apocalipse.
É dito que Lutero entendeu a Bíblia "como se Deus falasse ao coração". Mas é difícil de imaginar que o próprio Deus, que lhe "falou ao coração", revelasse que Tiago escreveu uma epístola sem valor. Tal confusão é bem parecida com a "inspiração pelo Espírito Santo" que os evangélicos têm hoje em dia para confirmar a veracidade de suas interpretações bíblicas. É interessante também notar que, para os protestantes, a Bíblia é a autoridade final, correto? Porém vemos que Lutero se coloca acima da autoridade da Bíblia, escolhendo quais livros devem pertencer ou não a ela, e ainda com a "autoridade" de definir determinado livro. Na realidade, Lutero se colocou acima da Bíblia que afirma estar sujeito. Sem perceber, os protestantes de ontem e de hoje fazem o mesmo.
Os protestantes, debatendo sobre os deuterocanônicos, citam passagens que dizem que os que acrescentam qualquer coisa à Palavra de Deus serão condenados. Demonstramos com vários artigos que, na realidade, quem acrescentou ou retirou algo da Bíblia foram os reformadores. E o próprio Lutero admite tal feito, com a adição da palavra "somente" em Rm 3,28 de sua tradução para o alemão:
Se um papista lhe questionar sobre a palavra "somente", diga-lhe isto: papistas e excrementos são a mesma coisa. Quem não aceitar a minha tradução, que se vá. O demônio agradecerá por esta censura sem minha permissão. (Amic. Discussion, 1, 127,'The Facts About Luther,' O'Hare, TAN Books, 1987, p. 201)
Judeus para o inferno
Os judeus são pequenos demônios destinados ao inferno ('Luther's Works,' Pelikan, Vol. XX, pp. 2230).
Queime suas sinagogas. Negue a eles o que disse anteriormente. Force-os a trabalhar e trate-os com toda sorte de severidade...são inúteis, devemos tratá-los como cachorros loucos, para não sermos parceiros em suas blasfêmias e vícios, e para que não recebamos a ira de Deus sobre nós. Eu estou fazendo a minha parte. ('About the Jews and Their Lies,' citado em O'Hare, in 'The Facts About Luther, TAN Books, 1987, p. 290)
Mesmo se os judeus fossem inimigos, Lutero deveria amá-los, e não tratá-los como cachorros loucos, muito menos recomendar tal tratamento. Os cristãos devem reconhecer nos judeus o povo chamado por Deus e portador de sua revelação, e que possuem um papel na história da salvação. De fato, o chamado descobridor da doutrina de Deus encoberta pelos católicos, não parece ser familiar com a doutrina cristã que alegam ter resgatado.
Cristo pecador
Cristo Adúltero. Cristo cometeu adultério pela primeira vez com a mulher da fonte [do poço de Jacó] de que nos fala São João. Não se murmurava em torno dele: "Que fez, então, com ela?" Depois, com Madalena, depois, com a mulher adúltera, que ele absolveu tão levianamente. Assim, Cristo, tão piedoso, também teve que fornicar, antes de morrer. (Lutero, Tischredden, Table Talk, Weimar, Vol. II, p. 107, apud Franz Funck Brentano, Martinho Lutero, Ed Vecchi Rio de Janeiro 1956, p. 15).
Creio que não se pode comentar tais palavras, assegurando que vieram do nome daquele que cultuam hoje como "a estrela que brilhou no meio à escuridão da idade média". Não há dúvida: Lutero está errado. Cristo se assemelhou em tudo a nós, menos ao pecado. Isto é evidente pela Sagrada Escritura e pela autoridade da Igreja, pois Cristo é Deus. Imagine, leitor, o que aconteceria se você apresentasse este fragmento a um protestante, esperasse este identificar quem o disse, e depois revelar que foi dita por nada menos que Martinho Lutero?
Infelizmente, os protestantes se recusarão a buscar as obras de Lutero e de outros reformadores. Sua metodologia "minha consciência é meu guia" lhe impede de aderir a qualquer semelhança com a doutrina de algum ser humano, ainda mais se este ser humano ensinou o que mostramos acima. Na realidade, os protestantes, que acham que retiram suas doutrinas da Bíblia, na realidade copiam as conclusões de outras pessoas, como Lutero (o que é um mal negócio), Calvino (também), ou o que pode ser ainda pior, de suas próprias conclusões.
Talvez a única conclusão que podemos retirar destas, e de várias outras frases, é a que o apóstolo Paulo nos incentiva: "Examinai-vos a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos...A menos que a prova vos seja, talvez, desfavorável" (2Cor 13,10).